Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono

06 de Abr de 2023
apneia do sono sanfil

A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio comum e subdiagnosticado, sendo caracterizado por episódios recorrentes de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono.

Este distúrbio afecta mais homens do que mulheres devido ao factor de protecção hormonal do sexo feminino. Contudo, após a menopausa a incidência aumenta. Pessoas com excesso de peso e obesas estão mais propensas a desenvolver esta patologia respiratória. Estima-se que um milhão de portugueses sofre desta patologia, que é ainda responsável por mais de 100 mil acidentes de viação por ano, devido ao facto dos doentes adormecerem ao volante.

Os sintomas mais comuns são roncopatia, episódios de engasgamento/sufocamento durante o sono, pausas respiratórias durante o sono, hipersonolência diurna, cefaleias matinais, alterações da memória e da concentração, fadiga, irritabilidade fácil, nictúria, boca seca, diminuição da libido, despertares nocturnos e sono não reparador.

Em muitos casos, o doente não tem conhecimento dos episódios de apneia e são os familiares que se apercebem dos sintomas, especialmente durante a noite. Por esta razão, o casal ou a família do doente têm um papel fundamental na deteção de eventuais sintomas desta patologia, pois são quem deteta a existência de uma roncopatia intensa, movimentos corporais frequentes e paragens respiratórias.

Salienta-se que nem todas as pessoas que ressonam ou têm sintomatologia semelhante à descrita sofrem de apneia obstrutiva do sono, pois existem outros distúrbios e doenças que podem causar sonolência durante o dia e sono de má qualidade.

O diagnóstico é feito através de um estudo do sono, nomeadamente, por um PSG (estudo nível I – laboratório do sono) ou por um estudo cardiorespiratório (nível III - domicílio).

Em relação ao tratamento, salienta-se o suporte ventilatório noturno com pressão positiva na via aérea. Existem outras opções terapêuticas como, o tratamento posicional na SAOS posicional, através de dispositivos eletrónicos que podem ser colocados a nível torácico ou cervical e que emitem uma vibração quando o doente se encontra em decúbito dorsal, de forma a induzir uma mudança de posição. Temos ainda os dispositivos de avanço mandibular e a abordagem cirúrgica. Não menos importante, é a necessidade de alertar o doente para a perda de peso, através da dieta e exercício físico regular e evicção de álcool e sedativos.


Pedro Silva Santos
Pneumologista
Hospital São Francisco | Leiria
Clínica São Francisco | Alcobaça

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